Origami (2018)
Minha avó tem um caso muito específico de Parkinson. Aos 85 anos, ela luta com isso por mais de um terço de sua vida. Um caso único dentro da comunidade médica. Ao mesmo tempo em que o remédio que ela toma a protege dos efeitos causados pela doença, também altera sua realidade. Uma forte dose de endorfina, liberada pelas pílulas, afeta seu cérebro, causando alucinações. Muitas vezes tentamos explicar a ela a origem dessas visões, mas, com o crescimento rápido e contínuo dessa forma de ver o mundo, fica cada vez mais difícil trazê-la para a realidade na qual a maioria de nós vive. 
Às vezes, fica claro para minha avó que ela está alucinando, mas, quanto mais acreditamos em algo, mais d
ifícil é abandonar essa ideia e reeducar nosso cérebro. Apelidando essa nova realidade de origami, ela acredita que os “origamistas” arquitetam essa realidade. Ela criou sua nova realidade. Por causa das necessidades que aparecem com o tempo, vive em um lar de idosos.
O quartinho dela é um mundo novo. Dentro dele, recriou seus objetos. O guarda-roupa é um anfiteatro. Dentro do espelho, tem um púlpito com um padre que ora por ela todos os dias. São memórias? Uma costura de seu passado? Qual seria a realidade? O que ela vê é uma criação de seu cérebro? Dentro de seu mundo tudo é possível. 
Fotografia e colagem. 2018. 18x23cm.
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